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Casa José Boiteux

* Por Rodrigo Rosa (historiador)
 
A atual sede do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e da Academia Catarinense de Letras, hoje intitulada Casa José Boiteux, passou por uma restauração completa em 2010. 
 
O prédio foi construído no começo da década de 1920, com recursos públicos, para servir inicialmente como sede da primeira instituição de ensino superior de Santa Catarina, o Instituto Polytechnico, cuja criação data de 1917.
 
Na época da construção da atual Casa José Boiteux, Florianópolis passava por um forte processo de modernização e embelezamento, e a Avenida Hercílio Luz era um marco dessa etapa da história da cidade: 
 
       Juntamente com a construção da avenida [Hercílo Luz], se deu às suas margens uma série de desapropriações para a construção de importantes edifícios, como o da Escola Normal e o do Instituto Politécnico (grifo meu), os maiores da cidade na época, de arquitetura imponente levantados dentro dos princípios da arte e da técnica. Dessa forma, todas as margens da avenida ficaram reservadas para construção de prédios que contribuíssem para a nova imagem que a cidade queria apresentar. (MULLER, 2002, p. 112)
 
O edifício, moderno para os padrões da época, gozava o status de ser o segundo maior da capital. Naquele período, buscava-se uma sonhada “modernidade”, a exemplo de grandes centros, como o Rio de Janeiro, a partir de reformas urbanas contundentes. “Com seus 682 m² de área construída, sua imponência ficava atrás apenas do edifício vizinho da Escola Normal, maior prédio de então”. (VEIGA, 2008, p.221) 
 
O Instituto Polytechnico passou a ocupar o prédio antes mesmo de sua conclusão, ocorrida parcialmente em 1925, uma vez que há registro de atividades do Instituto Polytechnico na edificação já em 1924. “Entre 1924 e 1925, o Instituto foi então instalado, no prédio ainda em obras, na avenida Hercílio Luz, nº 47, onde permaneceu até sua extinção” (SOUSA & VELLOSO, s/data, p.2). Não há registro de uma data precisa para a inauguração do prédio, há fontes que sugerem adequações até 1929.
 
Quem foi José Boiteux
 
O professor, historiador e bacharel em Direito José Arthur Boiteux foi um dos idealizadores  da criação do Instituto e personalidade bastante atuante no movimento da construção de sua sede própria; foi ainda presença contumaz nas diretorias da instituição ao longo dos anos em que o Instituto Polytechnico funcionou no endereço.
 
Outras instituições importantes fundadas entre o final do século XIX e começo do XX, registram a participação atuante de Boiteux, entre elas a Academia Catarinense de Letras, instituição que atualmente encontra-se abrigada na Casa José Boiteux.
 
Devido à relação de Boiteux com a cultura catarinense entre os séculos XIX e XX, teve seu busto esculpido no começo dos anos de 1920 e instalado no hall de entrada, no começo da ocupação do prédio, como forma de homenageá-lo. Este busto está no mesmo lugar até o presente. Boiteux ainda empresta seu nome para identificação do edifício atualmente.
 
O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, outra instituição que surge a partir de intensa participação de José Arthur Boiteux em fins do século XIX, está, assim como a Academia Catarinense de Letras, atualmente sediada no edifício, guardando o acervo pessoal dos Boiteux em seus arquivos. 
 
Com a extinção formal do Instituto Polytechnico em 1935, o prédio passou a ser ocupado exclusivamente pela Escola Prática do Comércio, que já atuava no prédio do Instituto desde meados de 1934. (SANSON & NICOLAU, 2006, p. 205).  
 
Em 1935 a Escola Prática passou a ser denominada como Escola do Comércio de Santa Catarina, subordinada ao então Departamento de Educação. Em 1943, com a criação do Curso Superior de Administração e Finanças, passou a se chamar Academia de Comércio de Santa Catarina, nome pelo qual o edifício ainda é conhecido. O nomenclatura, essa popular, dada ao prédio é: prédio da escola “Jacaré”. Segundo VIANA , o “Jacaré” derivaria do apelido de um professor que atuou durante décadas na docência e na administração da Academia. 
 
¹Outros fundadores: Joaquim David Ferreira Lima, Carlos Corrêa, Jonas Miranda, Ervino Presser, Felipe Machado Pereira, Agripino de Mello, Francisco de Mattos; os farmacêuticos Paulino Horn, Antônio Mâncio da Costa, Henrique Brüggmann, Francisco Pereira de Oliveira Filho, Diógenes de Oliveira, Christiano Vasconcellos; os cirurgiões-dentistas Achylles Wedekin dos Santos, José Baptista da Rosa, Álvaro Ramos; além dos bacharéis em direito Nereu Ramos, Marinho Lobo, Henrique Rupp Júnior, Ivo D’ Aquino Fonseca, Cid Campos, Antônio Vicente Bulcão Vianna e do Capitão-tenente Lucas Boiteux 
 
² Disponível em < http://www1.an.com.br/ancapital/2003/mar/30/1ult.htm> acesso 20 jan 2015.
 
Prédio da atual casa José Boiteux, ainda em construção, 1920. (SANTOS, 2009 p. 571)
 
REFERÊNCIAS:
 
CUNHA, Maria Teresa Santos, MATOS, Felipe. História e Imagens: o acervo iconográfico de José Boiteux e a memória visual de Florianópolis.  Cadernos do CEOM (UNOESC), v. 24, p. 237 - 253, 2006.
 
FARIA, Juliano Espezim Soares. O Ensino de matemática da Academia de Comércio de Santa Catarina na década de 1930 e 1940. Florianópolis, 2011. 274 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2011.
 
MÜLLER, Glaucia Regina Ramos. A influência do urbanismo sanitarista na transformação do espaço urbano em Florianópolis. Florianópolis, 2002. 148 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Geografia.
 
SANSON, João Rogério; NICOLAU, José Antônio. Do ensino de técnicas comerciais ao ensino de economia em Santa Catarina. Revista de Administração da PUCRS . v. 17, n. 2. (2006). Porto Alegre: 2006. p. 297-312. 
 
SANTOS, André Luiz. Do mar ao morro: a geografia histórica da pobreza urbana em Florianópolis. Florianópolis, 2009. xix, 639 p. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-graduação em Geografia, Florianópolis, 2009.
 
SOUSA, Marcos Roza de; VELLOSO, Verônica Pimenta. Instituto Politécnico de Florianópolis, disponível em < http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/pdf/instpolytflo.pdf> acesso 16 jan 2015. 
 
VIEIRA, Amazile de Holanda Vieira. O Instituto Politécnico de Florianópolis. In:  Revista de Ciências Humanas. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de  Filosofia e Ciências Humanas. v. 2, n. 4. (1983). Florianópolis: Editora da UFSC, 1983. p. 51-68. 
 
VEIGA, Eliane Veras da. Florianópolis: memória urbana. 2. ed. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes, 2008.
 
http://www.sol.sc.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1344:governo-do-estado-inaugura-obras-de-restauro-do-predio-da-antiga-academia-de-comercio-de-santa-catar&catid=1:noticias-em-destaque&Itemid=177
 

Localização: Avenida Hercílio Luz , 523 – Centro – Florianópolis/SC
Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h
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(48) 3222-5111 - Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
(48) 3665-6341 / academiacatarinensedeletras@gmail.com - Academia Catarinense de Letras

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