PONTE HERCÍLIO LUZ

Patrimônio cultural de Santa Catarina e do Brasil

Ainda que desativada para o tráfego de veículos e pedestres desde 1982, a Hercílio Luz é a imagem mais recorrente de Santa Catarina, tanto em fotografias turísticas, quanto em cartões postais, obras de arte, camisetas e material informativo sobre o Estado. Transformada em monumento histórico, declarada como patrimônio municipal, estadual e federal, a ponte é o símbolo catarinense mais visível e conhecido no país e no mundo. Guardadas as devidas proporções, representa para Santa Catarina o que significa para a França a Torre Eiffel ou para o Rio de Janeiro o Cristo Redentor.

Num ensaio publicado na década de 1960, o escritor e geógrafo catarinense Paulo Fernando Lago definiu a velha ponte como um patrimônio da saudade dos catarinenses, ou seja, uma referência da memória presente ao cotidiano de muitos que, até 1975, só conheciam a Hercílio Luz como ponto de passagem rodoviária entre a ilha e o continente.

A referência arquitetônica e histórica raras vezes divide opiniões. Qualquer pesquisa informal nas ruas revela que a supremacia dos catarinenses, florianopolitanos ou não, reconhecem na ponte um símbolo indispensável do Estado de Santa Catarina e querem que ela seja inteiramente recuperada e reinserida ao sistema viário, mesmo que com tráfego limitado.

Expectativas renovadas

Depois de muitos anos em obras, à espera ainda da parte final de recuperação, os catarinenses têm a expectativa de que em menos de cinco anos a Ponte Hercílio Luz esteja restaurada e pronta para usufruto, de acordo com recomendação de circunstanciados estudos técnicos do governo do Estado.

Quase 30 anos após a primeira interdição (1982), a única travessia rodoviária sobre o oceano, que reinou sozinha entre 1926 e 1975, está sendo reformada, graças à determinação do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, que deu início ao processo em 2005. Determinação que está sendo reiterada pelo atual governador, João Raimundo Colombo, que da mesma forma entende o quão relevante é a restauração e a valorização desse monumento maior da terra e da gente catarinense.

Uma grande parte da estrutura da ponte foi inteiramente recuperada, incluindo os viadutos das áreas insular e continental. Ainda são desenvolvidos serviços complementares. Falta a etapa mais desafiadora da obra, a restauração do vão central, que requer a alocação de significativa soma de recursos e a mobilização de um grande suporte técnico, devido à complexidade das intervenções requeridas.

Empenho para vencer dificuldades

Estando tão próxima da etapa final, a recuperação integral da Ponte Hercílio Luz exige de todos, governo, iniciativa privada, organizações não-governamentais, veículos de comunicação, o empenho fundamental para que as dificuldades sejam superadas. Trata-se de um desafio que não pode ser vencido apenas pelas ações oficiais, visto que o governo não dispõe de recursos financeiros suficientes para atender às necessidades da obra.

A mobilização pelo término das obras relaciona-se com a importância cultural do monumento histórico e também à possibilidade, em médio prazo, de a ponte incorporar a estrutura de um metrô de superfície ou equipamento similar, iniciativa que, se implantada, proporcionará mais condições para a mobilidade urbana na capital catarinense, tão prejudicada nos últimos anos pelo excesso de veículos em circulação.

A utilização férrea representará, por certo, um resgate histórico, relacionado à própria origem do projeto quando imaginou, no início do século 20, o então governador Hercílio Luz. Pensava ele na ponte como marco zero de uma estrada de ferro que ligasse a capital ao planalto serrano.

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